Publicação planejada: domingo, 18 de outubro de 2026

Há alguns anos, o trabalho de SEO era explicado quase sempre como “otimizar para aparecer no Google”. Hoje, muitas pessoas também usam ferramentas de inteligência artificial para explorar dúvidas. Isso trouxe novos termos, entre eles GEO (Generative Engine Optimization) e AEO (Answer Engine Optimization).

Essas siglas têm utilidade para discutir como conteúdos são encontrados e compreendidos em experiências de busca e respostas. Mas também têm sido utilizadas para vender promessas que não se sustentam: “apareça sempre no ChatGPT”, “seja citado em qualquer pergunta” ou “instale um arquivo e domine a IA”.

Para escritórios de advocacia, eu faria o caminho inverso: primeiro, garantir conteúdo correto, autoria identificada, clareza, revisão jurídica e estrutura técnica. Depois, observar o que pode ser medido, sem inventar posições em ferramentas de IA.

O que o Google realmente diz sobre SEO e IA

Em maio de 2026, a Central da Pesquisa publicou um material novo sobre otimização para experiências de IA generativa. A orientação central é manter conteúdos úteis, originais e bem construídos, em vez de buscar atalhos específicos para uma interface de inteligência artificial.

O guia oficial de recursos de IA informa que os fundamentos de SEO permanecem relevantes e que não existe requisito técnico extra nem marcação especial obrigatória para aparecer nas experiências de IA da Pesquisa Google. Também informa que indexação e exibição não são garantidas.

É importante ser preciso: essa documentação se refere aos recursos de IA da Pesquisa Google, e não significa que todas as outras plataformas (ChatGPT, Perplexity, outras) funcionem da mesma maneira ou ofereçam a mesma medição.

Por que isso importa especialmente para conteúdo jurídico?

Conteúdo jurídico exige cuidado com contexto, exceções e atualização. Uma resposta curta pode soar definitiva quando, na realidade, depende de jurisdição, data, documentos, jurisprudência e fatos específicos. Se um site publica textos superficiais ou desatualizados, o problema não é apenas técnico: o leitor pode sair com uma compreensão equivocada.

Por isso, eu sugeriria tratar cada artigo jurídico como um pequeno material de referência: assunto delimitado, perguntas comuns, fontes primárias, explicações para leigos, data e responsável pela revisão técnica.

Exemplo fictício: um escritório que atua em Direito à Saúde deseja explicar negativas de cobertura. Um bom texto educativo precisa indicar a pergunta que vai esclarecer, citar normas e fontes relevantes para a hipótese abordada, diferenciar regra geral de exceções e lembrar que casos concretos exigem avaliação individual. Não deve publicar uma “receita para ganhar a ação” nem apresentar resultado de clientes como publicidade.

Tutorial: sete passos para organizar um artigo jurídico

1. Parta de uma pergunta real e delimitada

Não comece pelo termo que parece ter mais buscas. Comece por uma dúvida recorrente que o escritório consegue explicar de forma responsável. Exemplo fictício: “Qual é a diferença entre inventário judicial e extrajudicial?”.

O artigo deve responder ao que promete no título. Se o assunto exige várias condições, organize-as em seções e evite exageros.

2. Reúna fontes primárias e registre as datas

Use legislação oficial, atos normativos, órgãos competentes e jurisprudência pertinente. Verifique se existe alteração posterior. Não copie o texto de outros blogs como se fosse pesquisa própria.

Checklist editorial: fonte, URL, data de publicação ou vigência, data da consulta, jurisdição e responsável pela conferência.

3. Escreva com linguagem compreensível

Organize a resposta em parágrafos curtos e títulos claros. Explique termos técnicos antes de usar siglas. Uma seção de perguntas frequentes pode ajudar o leitor, desde que seja útil e não apenas preenchimento de palavras-chave.

O Google recomenda conteúdo que priorize pessoas e valorize informações verificáveis e autoria identificada. Uma seção FAQ não garante resultado destacado nem menção por IA.

4. Faça revisão jurídica antes de publicar

A revisão não é uma formalidade estética. O advogado responsável precisa confirmar precisão, contexto, vigência, sigilo e compatibilidade com as normas da publicidade profissional, em especial o Provimento 205/2021.

Uma IA pode ajudar a organizar um rascunho, mas não deve assumir a responsabilidade sobre a interpretação da norma nem emitir orientação individual ao leitor no lugar do profissional.

5. Garanta que a página possa ser encontrada

Crie um endereço simples, título informativo, navegação clara, links internos relevantes e conteúdo principal em texto acessível. Verifique se a página não está bloqueada para rastreamento e se está qualificada para indexação.

O guia de recursos de IA do Google aponta esses fundamentos e reforça que nenhuma configuração garante aparição em uma resposta gerada por IA.

6. Use dados estruturados para descrever, não inventar

Dados estruturados podem ajudar mecanismos a interpretar informações, desde que correspondam ao conteúdo visível. Para artigos, o Google documenta o uso de marcação apropriada, incluindo autoria e datas. Para a identificação da organização, existe documentação específica.

Não adicione avaliações inexistentes, autor inventado, especializações não declaradas nem FAQ artificial só para acionar um recurso. Confira as diretrizes oficiais sobre dados estruturados da organização e marcação de artigos.

7. Monitore sem inventar indicadores de IA

No Search Console, acompanhe consultas, páginas, impressões e cliques. O Google informa que suas experiências de IA na Pesquisa podem estar incluídas nos relatórios de desempenho; as informações disponibilizadas devem ser interpretadas conforme o produto e o período.

Não apresente capturas isoladas de respostas de chatbots como prova de liderança no mercado. Essas respostas podem variar, e uma citação pontual não equivale a volume de exposição mensurável. Para outras ferramentas, registre uma metodologia transparente e limitações explícitas, se fizer algum acompanhamento exploratório.

Fluxo editorial responsável para conteúdo jurídico e buscas com IA
Figura 1 — Fluxo editorial conceitual proposto pela Pedro Merli Assessoria Digital. As etapas são boas práticas de produção e manutenção; não são critérios oficiais de classificação nem garantem citações em ferramentas de IA. Fontes: Google Search Central e OAB.

Exemplo completo: transformar um tema em estrutura de artigo

Para uma pauta hipotética sobre inventário, a estrutura poderia ser:

Título: “Inventário judicial e extrajudicial: diferenças gerais e pontos de atenção”.

Introdução: explicar por que o assunto gera dúvidas e qual pergunta o artigo responde.

Seção 1: conceitos e situações que dependem de análise jurídica atualizada.

Seção 2: diferenças de procedimento e documentos, com fontes oficiais adequadas.

Seção 3: perguntas frequentes que esclarecem termos, sem concluir casos individuais.

Seção 4: data da revisão e fontes consultadas.

Informações institucionais: identificação do autor técnico e link para a página institucional do escritório, observadas as regras de publicidade.

A proposta não é escrever todas as páginas com o mesmo molde. É ter um padrão de qualidade que ajude na pesquisa, na leitura e na manutenção do conteúdo.

O que eu não venderia como GEO

Não prometeria “primeiro lugar no ChatGPT”, “100% de citações” ou instalação de um recurso secreto. Tampouco publicaria centenas de artigos quase iguais para tentar ocupar buscas de várias cidades. Tais abordagens desviam do princípio de conteúdo útil e podem levar a materiais repetitivos e difíceis de manter.

Também não confundiria conteúdo técnico com aconselhamento jurídico automatizado. O objetivo do site institucional é informar e apresentar a atuação profissional; casos concretos devem ser conduzidos por quem tem habilitação e responsabilidade.

Onde começar ainda esta semana

Escolha uma página já existente do escritório e faça uma revisão: a pergunta central está respondida? As informações estão atualizadas? Existem fontes rastreáveis? A autoria é real? O conteúdo é legível no celular? A página está indexável? Há links internos que ajudam o leitor a continuar aprendendo?

Essas perguntas costumam produzir um trabalho mais útil do que começar por uma lista de “truques de IA”.

Minha conclusão: SEO, GEO e conteúdo jurídico não devem funcionar como estratégias isoladas. A base é informação correta, útil e bem apresentada. A tecnologia ajuda a organizar e medir parte desse trabalho, mas não substitui a autoridade técnica nem garante a forma como cada buscador utilizará as informações.

Se você está avaliando a presença digital do seu escritório, organize primeiro o diagnóstico de site, conteúdo e pesquisa. A proposta de Raio-X Jurídico, desenvolvida pela Pedro Merli Assessoria Digital, parte dessa mesma ideia: primeiro verificar a estrutura, depois recomendar prioridades.

Perguntas frequentes

GEO substitui SEO? Não. Para a Pesquisa Google, a documentação oficial reafirma os fundamentos de SEO.

Preciso adicionar um arquivo “para IA” ao site? O Google afirma que não há exigência de arquivos especiais ou marcação extra para aparecer em seus recursos de IA na Pesquisa.

Uma FAQ garante destaque em respostas de IA? Não. Ela pode melhorar a compreensão do conteúdo, mas não garante destaque ou citação.

Posso usar IA para escrever conteúdo jurídico? Como apoio à produção, com revisão técnica rigorosa, cuidado com dados confidenciais e responsabilidade profissional. O conteúdo final deve ser verdadeiro e compatível com as normas aplicáveis.

Continue a leitura

Fontes consultadas

Metodologia: recomendações da documentação oficial da Pesquisa Google combinadas a um processo editorial proposto, sem testes de posicionamento de escritórios reais nem promessa de citação em sistemas generativos. Consulta em 14/10/2026.