Publicação planejada: 16 de outubro de 2026

Um advogado me procura e diz: “Já tenho site, mas acho que ele está ruim. Preciso fazer outro?” Minha primeira resposta não seria oferecer um novo projeto. Seria perguntar: o que está ruim, para quem e como sabemos disso?

Às vezes, o problema é técnico. Em outras situações, o site carrega bem, mas não explica quem é o escritório, quais são suas áreas de atuação ou como encontrar o contato correto. Também existem páginas visualmente bonitas que não estão indexadas no Google.

Por isso, montei um checklist de 12 verificações práticas. Você pode usá-lo para revisar o site atual, organizar melhorias ou contratar um novo projeto com critérios objetivos.

Bloco 1 — Identidade e confiança

1. Identificação profissional está correta?

A página deve apresentar com precisão o profissional ou a sociedade de advocacia. Para publicidade profissional, o Código de Ética da OAB, art. 44, prevê identificação por nome e número de inscrição na OAB. A aplicação em cada peça merece conferência do responsável.

Na revisão, procure informações antigas: profissionais que já saíram da equipe, números desatualizados ou descrições excessivas de títulos que não são comprováveis.

2. A página “Sobre” mostra quem realiza o trabalho?

Uma descrição vaga como “soluções jurídicas completas e inovadoras” informa pouco. É mais útil apresentar trajetória profissional verdadeira, equipe, localização e áreas efetivamente atendidas.

Exemplo ilustrativo: em vez de “somos referência absoluta em resultados”, uma apresentação pode explicar como o escritório está estruturado e quais assuntos integra sua atuação. Evite afirmações comparativas ou de autoengrandecimento; o Provimento 205/2021 restringe esse tipo de publicidade.

3. Os canais de contato são oficiais e fáceis de encontrar?

Abra o site no celular e tente localizar telefone institucional, e-mail, endereço e horário de atendimento, se aplicável. Teste os links. Verifique se o formulário informa o que será feito com as informações enviadas.

Um botão que não funciona prejudica a experiência do visitante independentemente do posicionamento do site no Google.

Bloco 2 — Conteúdo que responde a perguntas

4. Cada página tem uma finalidade clara?

Uma boa arquitetura separa página inicial, apresentação, equipe, áreas de atuação, conteúdos e contato. Se tudo está em uma página longa, isso não é automaticamente um problema — mas o leitor precisa encontrar com facilidade o que procura.

5. As áreas de atuação estão explicadas sem promessas?

Exemplo fictício de página institucional: “Direito Empresarial — informações sobre a atuação do escritório em contratos e relações societárias”. Em seguida, uma explicação objetiva, sem anunciar vitórias, descontos ou resultados garantidos.

A comunicação precisa representar a atividade profissional de modo verdadeiro e respeitar o Código de Ética e o Provimento 205/2021.

6. Os artigos esclarecem dúvidas reais?

Um artigo útil oferece contexto, explica termos e aponta fontes legais ou institucionais atualizadas. Ele não deve parecer uma propaganda disfarçada.

Exemplo de pauta informativa: “Como funciona o inventário extrajudicial e quais requisitos devem ser verificados?”. A publicação jurídica deve ser revisada por profissional habilitado, indicar a data de atualização e não fingir que uma resposta geral resolve um caso individual.

Bloco 3 — Tecnologia e SEO

7. O site funciona bem no celular?

Leia a página pelo smartphone: título visível, texto confortável, navegação simples e botões acionáveis. Não se limite a olhar o site em um monitor grande. Um layout responsivo também deve ser acessível, com contraste adequado e descrições de imagens.

8. Existem títulos e URLs descritivos?

O guia de SEO do Google recomenda tornar conteúdo e navegação compreensíveis. Uma URL como /atuacao/direito-empresarial comunica melhor o assunto do que /pagina?id=8; mas mudar endereços existentes exige planejar redirecionamentos para evitar links quebrados.

Títulos devem descrever o conteúdo, sem repetição artificial de palavras-chave ou promessas de posição.

9. As páginas podem ser rastreadas e indexadas?

Dentro do Google Search Console, use a Inspeção de URL para verificar páginas importantes. Uma página bloqueada por configuração técnica pode não aparecer nos resultados.

A documentação do Google é explícita: solicitar rastreamento não garante indexação. Portanto, trate Search Console como ferramenta de diagnóstico, não como botão de “colocar em primeiro”.

10. Como estão os Core Web Vitals?

O Google utiliza indicadores de experiência real para avaliar carregamento, resposta a interações e estabilidade da página. Os limites recomendados para uma boa experiência, considerando o 75º percentil de visitas, são os seguintes:

Limites dos Core Web Vitals recomendados pelo Google
Figura 1 — Parâmetros oficiais do web.dev / Google: LCP ≤ 2,5 s; INP ≤ 200 ms; CLS ≤ 0,1. As unidades são diferentes, portanto os indicadores são apresentados separadamente. Não são dados de um site específico.
  • LCP (Largest Contentful Paint): quando o principal conteúdo visual termina de carregar.
  • INP (Interaction to Next Paint): tempo de resposta às interações.
  • CLS (Cumulative Layout Shift): quanto a página muda de posição inesperadamente.

Teste com ferramentas como PageSpeed Insights e observe se há dados de campo suficientes. Uma análise de laboratório isolada é útil para diagnóstico, mas não deve ser confundida com a experiência real de todos os visitantes. Uma pontuação alta de desempenho não garante posicionamento.

Bloco 4 — Dados e segurança

11. O site explica o tratamento de dados?

Formulários de um escritório podem receber informações delicadas. Comece pedindo o mínimo necessário para encaminhar um contato administrativo. Evite solicitar relatos detalhados de processos, exames, documentos pessoais ou dados de terceiros em um formulário público aberto.

Revise política de privacidade, armazenamento, segurança, controles de acesso e eventuais ferramentas de terceiros. Para cookies e rastreamento, consulte a ANPD.

12. Existe forma de acompanhar o que acontece?

O Search Console permite acompanhar presença na Pesquisa Google, enquanto outras ferramentas, configuradas respeitando a privacidade, ajudam a analisar navegação. Defina os indicadores adequados ao site: páginas vistas, origem de tráfego, cliques em contato e formulários concluídos, quando a mensuração for lícita e tecnicamente apropriada.

Importante: nenhuma dessas métricas, isoladamente, comprova aquisição de clientes ou qualidade jurídica.

Exemplo de priorização: consertar ou reconstruir?

Imagine um escritório fictício que possui um site com informações corretas e boa navegação, mas sem artigo atualizado e com alguns títulos genéricos. Nesse caso, uma melhoria gradual pode fazer mais sentido do que jogar tudo fora.

Agora imagine outro cenário fictício: o site não funciona no celular, contatos estão errados, páginas essenciais não podem ser indexadas e a plataforma não recebe manutenção. Um novo projeto pode ser justificável após avaliação de custo e riscos de migração.

A diferença não está em qual site parece mais moderno. Está em quais problemas existem, quanto custa resolvê-los e que benefício a mudança entrega às pessoas que usam a página.

Meu roteiro de auditoria em 30 minutos

Reservaria dez minutos para navegação no celular, dez para identificação e conteúdo e dez para pesquisa/indexação e configuração básica. O diagnóstico completo vem depois, mas essa primeira rodada já produz uma lista de ações verificáveis.

Ao final, registre três prioridades. Não invente “nota de SEO” e não conclua que o site está ruim porque perdeu uma posição em uma pesquisa pontual.

Próximo passo: veja o guia de Google Ads para advogados e valide os anúncios com o profissional responsável antes de veicular.

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Fontes consultadas

Metodologia: roteiro técnico de auditoria elaborado a partir de recomendações oficiais, sem avaliação de sites reais. Consultas às fontes em 14/10/2026. Conteúdos jurídicos ou anúncios criados a partir destas orientações devem receber validação de profissional habilitado.